O Primeiro Instituto Familiar de Práticas, Estudos e Propagação do Aikido em Sergipe

João Paulo Cunha Meirelles - Yudansha Makoto (Shodan)


Para aqueles da minha geração, o principal contato com a cultura japonesa talvez tenha ocorrido durante a febre dos Tokusatsu: seriados de TV da década de 1990, onde personagens superfantásticos eram referência de honra, disciplina e compromisso com o bem estar comum.  

Fascinado pelos heróis de um mundo distante, apeguei-me às Artes Marciais como a representação mais próxima daquele modelo. Nunca fui bom de bola, e no país do futebol, meu uniforme preferido sempre foi o dogi, popularmente conhecido como kimono. 

Em 2000, comecei praticando Karate e, ainda na escola, pude desenvolver meu incipiente senso de disciplina. Treinei com muita satisfação, mas algo me incomodava. Havia uma incessante cobrança por competitividade, condição com a qual eu não me identificava. Alguns anos depois, decidi buscar uma prática onde o desafio fosse outro, e conheci o Ninjutsu. Aprendi técnicas que preconizavam o combate direto, furtivo e, muitas vezes, tão traumático que talvez ninguém se atrevesse a participar de uma competição, caso elas existissem. 

Naquela época, tive o primeiro contato com o Aikido, através de seminários e vídeos. Reconheço que ainda não tinha o discernimento para assimilar a grandeza daquele caminho e, enquanto treinava outro budo, muitas interações surgiram sinalizando o rumo que eu deveria seguir. Eis que finalmente, ao assistir uma verdadeira aula de Aikido, foi quando pude perceber a mensagem que repercutia em minha consciência.

Iniciei o treinamento de Aikido em 2010 e, de maneira paulatina e contínua, fui conquistado pelos fundamentos transmitidos pelo mestre fundador da arte, Morihei Ueshiba. Este nobre caminho marcial está pautado no respeito, buscando unir as intenções em uma proposta ética, no intuito de “torna-se uno com o universo”. Enquanto aikidoka, creio que o grande desafio é alcançar o autoconhecimento necessário para manter o meu ponto de equilíbrio vibrando em harmonia, evitando o conflito e priorizando a conciliação frente a todas as energias opostas. Com as palavras do mestre, O-Sensei, “quem vence alguém é vencedor, mas quem vence a si mesmo é invencível.”